Inadimplência do Consumidor deve ser maior nos próximos meses, prevê Serasa
SÃO PAULO – Nos próximos seis meses, a inadimplência dos consumidores deve subir, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência, divulgado nesta quarta-feira (14). 14/7/2010 8:32
De acordo com o estudo, em maio, a perspectiva de inadimplência do consumidor para os próximos seis meses apresentou aumento de 0,3%, a oitava alta mensal seguida, com o índice chegando a 98,6 pontos.
Segundo os analistas da Serasa, o crescimento acelerado do endividamento dos consumidores ao longo dos últimos trimestres e o novo ciclo de aperto monetário, com elevações da taxa de juro básica (Selic), devem aumentar o comprometimento da renda dos consumidores com pagamento de juros e amortizações.
Esse cenário, segundo avaliam os técnicos, deve contribuir para a elevação da inadimplência dos consumidores.
Resistência
Por outro lado, na avaliação dos analistas da Serasa, mesmo com a perspectiva de aumento na inadimplência, o fato do índice ainda estar no nível abaixo de 100 aponta que a inadimplência do consumidor não deve alcançar níveis tão elevados como o apurado entre o final de 2008 e início de 2009, quando a economia brasileira sentia os reflexos da crise econômica internacional.
No primeiro semestre deste ano, a inadimplência do consumidor registrou queda de 2,3%, frente ao mesmo período de 2009 – a maior queda para essa comparação desde 2000, quando a Serasa iniciou os estudos do indicador de inadimplência.
Em entrevista, o gerente de Indicadores de Mercado da instituição, Luiz Rabi, alertou que tal queda é pontual e dificilmente se repetirá. “Tivemos um semestre bom em termos de crescimento econômico e da renda”, diz. Ele explica que o bom cenário também aumenta a oferta de crédito aos consumidores e as vendas financiadas, o que explica as altas da inadimplência nas outras comparações.
Indicador
O indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência dos Consumidores avalia, em um horizonte de seis meses, em que fase do ciclo estarão várias variáveis econômicas, como concessões reais de crédito, inadimplência, crise e recuperação.